quinta-feira, dezembro 06, 2007

Um dia sem café e muito nevoeiro

O dia que começa com dor de cabeça e com um shot de Aspegic não alvitra ser um bom dia, já falta o café, temos de sair, não se vê quase nada do nevoeiro que invade a cidade, mas como a vida é linda vale a pena sair de casa sorrindo. Vou ouvir algumas pessoas falar sobre os media e as crianças, o dia promete e pensar positivo nunca fez mal a ninguém.

Imagem do VisualBlog 3191

Foi realmente interessante o que ouvi depois, mas ao mesmo tempo não deixa de ser triste perceber o quão desinteressadas andam as pessoas. Os órgãos de comunicação desresponsabilizam-se e dizem que são os pais e educadores que devem educar e restringir os acessos aos média para as suas crianças, os pais quando chega a altura de se documentarem para saber o que há a fazer não aparecem. A polícia de segurança pública falou antes da palestra a que assisti, tentou fazer uma acção numa escola, para pais, nem um assistiu!

O dia segue e ficam ideias no ar, quase toda a manhã penso que não é possível que as crianças não gostem mais de ouvir contos, de ver ilustrações, ir passar tardes na mata e aprender a andar de bicicleta, gastar lápis de cera até não haver mais, desenhar no chão da sala enquanto perguntamos todos os porquês que conseguimos. Custa-me muito pensar em como se poderá adaptar um filho nosso (seja quem for o outro, mas um filho nunca é só meu!) a um conjunto de crianças com os polegares desenvolvidos por causa da Palystation! Preciso de acreditar que as crianças ainda gostam de andar descalças na relva e de jogar à bola… Acredito, Sorrio! Saio da escola mas tenho que levar um livro a minha mãe, com uma aula cheia de crianças que adoramos, temos mesmo que não esquecer que é sempre preciso acreditar, e que qualquer começo é um começo e vale sempre a pena começar.

Um dos intervenientes, meu professor de Direito, falava na questão (uma das que mais me assusta), falta de cidadania activa (não é que não me assuste que o Diário do Alentejo se defina como Jornal independente que tem hiper sensibilidade a que a maiorias das câmaras são comunas).

Falo algumas vezes disto aqui, e entristece-me a facilidade com que cada um atribui ao outro o que quer que seja, a culpa, se for caso de culpar, a responsabilidade se for caso de fazer ou de actuar. Tudo reside no outro e quase nada em cada um, tudo poderia ser diferente, mas como posso contribuir muito pouco é melhor nem fazer nada. As vidas correm mal, dão sinais de que algo está mal, mas mesmo assim, o outro tem culpa o outro fez mal, o outro poderia ter feito e não fez, aquilo que eu raramente faço e nem vou fazer porque sozinho não sou ninguém! Ainda bem que cada folha não desiste de ser verde, porque se cada folha de árvore fosse como um homem, a maior parte das árvores seriam transparentes. Atribuindo ao outro aquilo que temos de ser, raros são os que vão ter a coragem de ser por todos aquilo que só podem ser por si!

Afinal no outro não mora mais que um outro eu :)


1 comentário:

H disse...

Aquele comentário, foi realmente uma pérola! Mas.. há momentos em que temos de ficar calados, porque outros valores se erguem!!!